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Ela é a irmã e mãe terra que produz variados frutos, coloridas flores e ervas segundo São Francisco. O produtor rural saboreia a terra. Ele vive da terra e na terra. E nada lhe é tão sagrado quanto o solo onde ele vai chorando ao levar e lançar a semente e quando vem, vem cantando trazendo os feixes, segundo o salmista. Se o plantio é esperança de vida, liberdade e dignidade, a colheita é sua realização.
Os poderes públicos possuem a missão de desapropriar as terras, quando a justiça social o exigir, assegurando a terra para quem nela trabalha. Pois o único título legítimo para a posse da terra é que ela sirva ao trabalho e dela se colham os frutos correspondentes. O ser humano prepara a terra mediante o seu trabalho e dela recebe o indispensável para uma vida digna.
O que merece ser feito tem o direito de ser bem feito. E mais: a remuneração exige que o trabalho seja de qualidade. O trabalho voluntário, igualmente, deve contar com talento, competência, dedicação e o maior esmero possível do trabalhador, justamente pelo seu caráter de gratuidade. Não subsiste, nesta perspectiva, a afirmação de que “de graça até injeção na testa serve”. Trabalho mal executado de modo algum deve ser realizado, sob pena de trairmos a imagem daquele de quem somos feitos e impossibilitando, assim, que sejamos à sua semelhança.
Se, por um lado, recebemos de Deus a graça do trabalho, mediante a ordem de trabalhar – comerás o pão com o suor do teu rosto – por outro, não somos máquinas, pessoa humana é o que somos. Trabalho e descanso se alternam para assegurar dignidade ao trabalhador. Que a 12ª romaria do trabalhador (a), no dia 1º de maio em Gravataí e o feriado contribuam para refletir sobre a nobreza de trabalhar, transformando este mundo em jardim habitável dos filhos de Deus para quem o trabalho realiza, é um anseio, e é uma necessidade para pôr à mesa da humanidade o indispensável para bem viver.
Frei Irineu Costella
irineu@ofmcaprs.org.br