Fraternidade e a vida no Planeta

A Campanha da Fraternidade de 2011 faz a gente repensar nossas ações seja no processo produtivo-econômico, seja no processo político-social.
A questão que agora se coloca é esta: é possível manter a lógica do desenvolvimento ilimitado e, ao mesmo tempo, evitar a depredação da natureza e a produção da miséria no mundo?
Para superarmos a crise, precisamos elaborar um novo sonho e articular um novo sentido de vida. No sentido religioso,diríamos,precisamos de uma nova espiritualidade, de um encontro novo com o sentido principal da vida e da história, decifrado como o mistério do mundo, a razão da evolução, numa palavra: Deus. Importa assumir a verdade dos sistemas já vividos numa síntese realística e não verbal síntese humana e espiritual.
O capitalismo criou o EU sem o NÓS e o socialismo criou o NÓS sem o EU. Agora precisamos da síntese que permita a convivência do EU com o NÓS. Nem individualismo nem coletivismo, mas uma verdadeira “democracia social e participativa”.
Precisamos fazer uma autocorreção com referência à concepção do ser humano, à integração do feminino e à aliança com a natureza. Daí nasce a nova espiritualidade.
O ser humano é um nó de RELAÇÕES, voltado para todas as direções, isso significa que ele é pessoa, quer dizer, um ser aberto a dar e a receber, à participação, à solidariedade e à comunhão. Quanto mais o ser humano se comunica, sai de si, se doa e recebe o dom do outro, mais pessoa ele é. É um sujeito em comunidade.
Esta realidade humana precisa ganhar uma expressão política para além do socialismo e do capitalismo. Precisamos, para sobrevivência coletiva, construir uma democracia, como uma mesa, ela se sustenta sobre quatro pernas, como afirmava Betinho: a participação, a igualdade, a diferença e a comunhão.
Esta democracia não pode ser apenas humana e social. Deve ser cósmica. Que será da sociedade sem árvores, sem as águas límpidas, sem o ar puro, sem o brilho das estrelas? O ser humano deve integrar todos esses seres como novos cidadãos. A partir desta nova aliança deve-se redefinir o sentido das transformações sociais.
Até hoje estávamos orientados pelo sonho de grandes revoluções redentoras: a revolução técnica-científica, a revolução burguesa, a revolução socialista e a revolução da cibernética. Essas revoluções exigiram uma altíssima taxa de iniqüidade humana e ecológica. Hoje precisamos de revoluções moleculares, menores, que mexam a subjetividade, pessoal e coletiva. Mas essas revoluções estão em curso no mundo todo: por todas as partes surgem grupos, comunidades, articulações com uma nova consciência de solidariedade para com os oprimidos e marginalizados do sistema. São grupos preocupados com a problemática do meio ambiente. Elabora-se uma consciência comum de novas formas de MUNDIALIZAÇÃO que não passa pelo mercado, pela economia e pela tecnociência, mas pelo mútuo aprendizado. É o novo surgindo, cabe a nós fazermos a nossa parte, no nosso dia a dia, cada um dentro de suas possibilidades. Mas fazendo algo, pois o Planeta clama por atitudes.