Diocese
Cruz Alta

 

Agenda do Mês

Salmo do dia

Que alegria quando ouvi que me disseram:/ "Vamos à casa do Senhor!".

(Sl 121 (122))


Mensagem de Fátima: Recado de Deus

 

Deus tem a sua maneira própria de se comunicar. Basta ler os capítulos 9 e 10 do Livro do Deuteronômio, bem como os seus paralelos, nos quais se descrevem as “infidelidades dos Israelitas”, a “Aliança do Horeb”, o “Bezerro de Ouro”, a “Nova exortação à Obediência” e as “Exigências da Aliança”. Cai na vista, que o bezerro de metal fundido fica sempre como sinal da idolatria de Israel no deserto e da conseqüente infidelidade à aliança. Ainda assim Deus salva seu povo, porém esta salvação parece depender da súplica e intercessão de Moisés. Assim, a mediação parece tornar-se imprescindível em tantas circunstâncias bíblicas.
Cristo é nosso mediador: No Novo Testamento a palavra “Mediador” é usado poucas vezes e se refere sempre a Cristo, com uma só exceção em Gal. 3,19, quando se refere a Moisés. Os sinóticos apresentam Jesus como um profeta, que tem plenos poderes sobre a lei e o sábado. Ele era consciente de cumprir a tarefa do Pai, como enviado, para servir e dar a vida como resgate por muitos; ele realizava o Reino de Deus através de tantas obras. Pelo próprio sangue derramado estabeleceu uma Nova Aliança, um novo relacionamento solidário entre Deus e os homens. Por outro lado, ele exigiu dos discípulos uma entrega total à sua pessoa e uma abnegação perfeita, da qual dependia a sua salvação eterna. Jesus se apresentou como mediador da revelação e da salvação dos homens.
O eco bíblico em Fátima: Quando lemos a mensagem de Fátima, a partir das aparições do Anjo em 1916, nós nos damos conta que o “Céu” convida os pastorzinhos a participar de sua mediação. Basta checar uma longa citação retirada das “Memórias da Irmã Lúcia” (8ª, edição, 2000, pag. 62-63). ...”Não temais! Sou o Anjo da Paz. Orai comigo. E ajoelhando-se por terra, curvou a fronte até o chão e fez-nos repetir três vezes estas palavras: “Meu Deus, eu creio, adoro e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não vos esperam e não vos amam”.
Depois, erguendo-se disse: “Orai assim: Os corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas”. Os hebreus no Antigo Testamento exprimiam o ato de adoração através dos verbos prostrar-se, beijando o chão”. Assim, adorar passou a significar: “Servir a Deus através do culto”.
Vamos ver o contexto histórico das aparições do anjo, na época em que se vivia a proximidade da Revolução da Rússia, e em Portugal se preparavam os decretos de expulsão dos Arcebispos Metropolitas de Braga e Évora, devido à defesa pública feita pelo Patriarca de Lisboa e do bispo de Porto. Quando surgiram os piores sofrimentos, devido à participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial, devemos perceber a pedagogia de Deus, através do seu enviado. O Anjo pretendia renovar o lugar de Deus na vida do povo, bem como o primado de Deus nas legislações dos povos, no seio das famílias e instituições.
É no contexto dum indiferentismo semeado pelo positivismo liberal e pela sombra dos extremismos republicanos e da maçonaria, que Deus lembra ao seu povo e à sua Igreja, o lugar da adoração e da reparação, escolhendo alguns para lhes propor esta missão e vocação.
Chamados à missão: O Movimento da Mensagem de Fátima - pelo carisma fundacional das “Aparições de Fátima” - recorda à humanidade e à Igreja, o primado de Deus em nossas vidas, fazendo perceber que sem Deus, o Homem não tem futuro, nem será possível acontecer fraternidade. O Homem só se descobre e se realiza plenamente em Deus! Que grande missão: a fraterna solidariedade expressa na oração reparadora é levada a efeito pelo “Movimento da Mensagem de Fátima”.
Diz o Catecismo Católico: “Adorar a Deus é reconhecer, com respeito e submissão absoluta, o ‘nada da criatura’, que só por Deus existe. Adorar a Deus é - como Maria no Magnificat - louvá-lo, exaltá-lo e humilhar-se, confessando com gratidão, que ELE fez grandes coisas e que o seu nome é santo (Lc 1, 46-49). A adoração do Deus único liberta o homem de se fechar em si mesmo, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo.

(Adaptação: P. Senra Coelho – Évora)                          

 

Dom Frederico Heimler sdb