Diocese
Cruz Alta

 

Agenda do Mês

Salmo do dia

" Ó Senhor, me estendeis o vosso braço e me ajudais".

(Sl 137 (138))


Missão Verdadeira

Com tanta insistência sobre ‘missão’, o perigo é ‘fazer missão’ de qualquer jeito, é cair numa missão vaga, genérica, dispersiva, sem objetivos claros e verdadeiros. O documento quer evitar esses perigos e aponta orientações. Vamos ao texto com as seguintes perguntas: Por quais motivos ir à Missão? Quais os conteúdos? Quais os objetivos? Quem vai assumir a Missão?

 
Os porquês da Missão. A motivação principal está na comunhão trinitária: “A Igreja peregrina é missionária por natureza, porque tem sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o desígnio do Pai” (DA 347, citando o documento Ad Gentes, capítulo 2, do Concilio Vaticano 2º). O Deus revelado na Bíblia é Deus-Amor (1Jo 4,8.16), e onde há amor, há missão; portanto, Deus é Missão. Nós participamos da natureza divina (2Pd 1,4), somos filhos e filhas da Trindade Santa; herdamos a missão da Trindade. Um segundo motivo da missão é a situação do mundo, do planeta Terra. O mal está no mundo, destruindo relações de fraternidade e de paz, trazendo divisão e opressão, ferindo e destruindo o Planeta. O Documento faz uma análise detalhada dos males do mundo (DA 43-97). Diante de tudo isso, não podemos ficar indiferentes. Enquanto houver algo errado em qualquer parte do mundo, é a hora da missão. Um terceiro motivo que Aparecida lembra é a vida interna da Igreja: enfraquecimento da vida cristã, escasso acompanhamento aos fiéis leigos em suas tarefas de serviço à sociedade, despreparo da Igreja frente aos desafios da pós-modernidade, migração de católicos para outras Igrejas e grupos religiosos, católicos batizados não suficientemente evangelizados, vítimas de um mundo secularizado, onde a tendência é relativizar valores e fazer o que mais satisfaz no momento (DA 100, 293, 185, 177, 479).
 
Portanto, a Missão “não é uma tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã” (DA 144). Ela é uma necessidade, uma urgência permanente: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho” (1Cor 9,16).
 
Os conteúdos e objetivos da Missão. Nós não os inventamos, nós os herdamos da Missão de Deus, plenamente revelada na vida e na prática de Jesus de Nazaré. Eles estão presentes também nos anseios mais profundos e mais verdadeiros da natureza humana. Devemos saber redescobri-los e atualizá-los. O documento de Aparecida lembra-os com insistência:
 
a) participar da vida trinitária através do seguimento a Jesus de Nazaré (DA 129, 131).
b) fazer discípulos de Jesus todos os povos (DA 364). Fazer de cada cristão um discípulo missionário (DA 362).
c) proclamar o Evangelho de Jesus Cristo e, n´Ele, a boa nova da dignidade humana, da vida, da família, do trabalho, da ciência e da solidariedade com a criação (DA 103).
d) anunciar o Evangelho do Reino a todas as nações (DA 144).
 
Isso significa trabalhar pela justiça social (DA 384), pela dignidade humana (DA 387). É fazer decididamente a opção preferencial pelos pobres e excluídos (DA 391). É compromisso pela promoção humana integral (DA 399-405), pela globalização da solidariedade e justiça internacional (DA 406). É promover uma valiosa ação renovadora das paróquias e das dioceses, para que sejam missionárias, e se transformem em uma rede de pequenas comunidades eclesiais (DA 170, 172, 173). Que sejam “comunidades de discípulos missionários ao redor de Jesus Cristo, Mestre e Pastor” (DA 368). O modelo referencial está nas primeiras comunidades cristãs (DA 369).
 
Os sujeitos da missão. São todos os batizados. De fato, ser batizado é ser cristão e ser cristão significa tornar-se discípulo de Jesus Cristo: “Todo discípulo é missionário” (DA 144). O ser missionário faz parte da natureza do ser cristão: “Discipulado e missão são como as duas faces da mesma moeda” (DA 146). Não dá pra ser discípulo sem ser missionário e vice-versa. O discipulado e a missão são a marca registrada do documento de Aparecida.
 
Os destinatários da missão. Todos os povos, desde as pessoas que moram perto até os que vivem nos países mais distantes: “A missão do anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo tem destinação universal” (DA 380). A questão não é só geográfica, a missão “quer atingir todos os campos sócio-culturais, sobretudo os corações” (DA 375). “A renovação missionária das paróquias está exigindo de nós imaginação e criatividade para chegar às multidões que desejam o Evangelho de Jesus Cristo. Particularmente no mundo urbano” (DA 173). Para isso é preciso que haja “discípulos missionários sem fronteiras, dispostos a ir ‘à outra margem’” (DA 376). “Somos Igrejas pobres, mas ‘devemos dar a partir de nossa pobreza e a partir da alegria de nossa fé”’(DA 379, citando Puebla).
(Texto: MISSÃO NO DOCUMENTO DE APARECIDA - Reflexões a partir do Documento de Aparecida Pe. Luis Mosconi).