Diocese
Cruz Alta

 

Agenda do Mês

Salmo do dia

" Não a nós, ó Senhor, não a nós,/ ao vosso nome, porém, seja glória".

(Sl 113B (115))


O desafio da evangelização da juventude hoje

 

A evangelização da juventude é um desafio que vale a pena ser enfrentado. É a juventude quem tem a tarefa de tornar o mundo melhor, mais justo, mais fraterno, e é a juventude quem já está assumindo e quem está mais próxima de assumir as diversas lideranças na Igreja e na sociedade. A evangelização da juventude tem por finalidade uma formação para a ação, para a proclamação da Boa Nova de Jesus Cristo a todas as criaturas, construindo a “Civilização do Amor”, como denominou o papa Paulo VI. Todavia, os tempos atuais exigem uma clareza e até de mudança de estratégia e de metodologia.
Houve um tempo em que o processo de evangelização da juventude poderia simplesmente recorrer a dois esquemas que mostravam ser eficazes: um primeiro esquema parte da análise da realidade passa, pela reflexão da Palavra de Deus e encaminha para uma ação a fim de transformar a realidade. É o método ver, julgar e agir, que ainda hoje as pastorais utilizam e que a Conferência de Aparecida recomendou retomar. Este modelo foi elaborado na Ação Católica Operária e depois se espalhou por toda a Ação Católica Especializada na década de 50 e hoje é utilizado nas diversas Pastorais da Juventude (Pastoral da Juventude Rural, Pastoral da Juventude Estudantil, Pastoral da Juventude do Meio Popular, Pastoral da Juventude das Comunidades).
O segundo esquema é adotado pelos movimentos da Igreja que consiste em um encontro de final de semana, em que muitos temas são trabalhados de forma que as pessoas (e neste caso, os jovens) tenham uma conversão, uma mudança de vida, e que a partir daquele momento, comece a evangelizar com palavras e ações o imenso amor que Deus tem para conosco.
Estes dois esquemas encontram o Brasil em um contexto de governo militar (1964), de tomada de posição da Igreja em favor da democracia e contra os exageros do regime e também contra a ação das guerrilhas armadas, para uma solução do conflito pelo meio da paz. Neste contexto sócio-político, presenciamos a dispersão e a dissolução do trabalho eclesial junto à juventude realizado através da Ação Católica Especializada (Juventude Agrária Católica, Juventude Estudantil Católica, Juventude Universitária Católica, Juventude Operária Católica, Juventude Independente Católica), devido a sua posição de crítica e contestação frente ao regime militar.
Para ocupar este espaço vago de evangelização, chega ao Brasil, na década de 70, o esquema dos movimentos de juventude: o Treinamento de Lideranças Cristãs (TLC), ligado aos jesuítas; o Encontro de Juventude Construindo, ligado aos salesianos; o Encontro de Jovens com Cristo (EJC), ligado aos redentoristas; o Cenáculo, o Shalon, Emaús; o Movimento Geração Nova (GEN), ligado aos focolares; Movimento da Juventude de Schoenstatt, Comunhão e Libertação, Renovação Carismática Católica e outros. Utilizam a metodologia do Cursilho de Cristandade, surgido na Espanha. Com uma linguagem simples, com testemunhos, cantos e orações, muito jovens começaram a freqüentar a Igreja.
Após a democracia, estes dois modelos disputaram o campo de evangelização. Entre seus líderes e integrantes, houve até uma certa rivalidade, uma troca de intrigas que se manifestam também como um contra-testemunho diante dos jovens a serem evangelizados. Com a proposta de que o Setor Juventude seja um lugar de articulação dos diversos movimentos que trabalham com a juventude, junto com a Pastoral da Juventude, temos a nossa frente um problema: como conciliar dois esquemas que tem metodologia, estratégias diferentes de trabalho? Surgem, então, as possíveis soluções:
Algo que tem de ser levado em conta é que o problema verdadeiro não é qual o esquema vai se manifestar mais eficaz, mas como atrair o jovem para a vivência no grupo de jovem e na Igreja? Não somente atrair, mas ter um programa que tenha a formação integral (espiritual, psicológica, política, vocacional) como fim e não a utilização do jovem como meio para uma luta política, ou para fazer crescer o movimento, ou para ser uma mão-de-obra nas programações da paróquia. Assim, as lideranças que pretendem trabalhar com jovens devem fazer-se algumas perguntas.
1)      Que novas atitudes eu pretendo ajudar a despertar nos jovens?
2)      Que tipo de sociedade eu pretendo ajudar a construir?
3)      Que Igreja eu acredito e qual o papel do Jovem nesta Igreja?
4)      Qual a participação do jovem no seu processo de formação?
5)      Qual o grau de comunhão eu tenho com o que a Igreja a nível de CNBB e de América Latina sobre a formação dos jovens? Que conhecimentos eu tenho dos matérias produzidos sobre a formação da juventude na América Latina?
Tudo isso se reduz a uma só pergunta: como estou auxiliando os jovens para que eles possam elaborar o seu projeto de vida (quem são, o que querem, o que Deus de cada um deles – dimensão vocacional)?
 
Eliseu Lucas Alves de Oliveira - Ijúí - 1ª ano de Teologia