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Estamos vivenciando o Ano Sacerdotal, proclamado pelo Papa Bento XVI. Com o tema: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”, o Papa quer promover a espiritualidade sacerdotal e ajudar os sacerdotes a perceber cada vez mais a importância do seu papel e de sua missão na Igreja e na sociedade contemporânea.
Faz parte da espiritualidade do presbítero (padre) a espiritualidade litúrgica, a espiritualidade do mistério pascal celebrado ao longo do Ano Litúrgico. O presbítero vive e anuncia o mistério de Cristo. Ele, com a assembléia celebrante proclamam, a cada missa celebrada: ”Anunciamos Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde Senhor Jesus”.
Portanto, é essencial ao presbítero o anúncio de que em Jesus Cristo Deus realiza sua promessa de salvação. “Como Igreja e como sacerdotes, anunciamos Jesus de Nazaré Senhor e Cristo, crucificado e ressuscitado, Soberano do tempo e da história, na jubilosa certeza de que tal verdade coincide com as expectativas mais profundas do coração humano (Bento XVI).
Nessa perspectiva, cabe salientar que estamos vivendo e celebrando o ciclo do Natal. “No ciclo do Natal, celebramos o mistério pascal de Cristo em suas primeiras manifestações. Nele fazemos memória salvífica do Senhor, da sua manifestação na fragilidade de nossa carne, na contingência e contradições de nossa história, enquanto aguardamos seu novo Natal, seu Reino, sua vinda definitiva e gloriosa no fim dos tempos” (Roteiros Homiléticos, CNBB).
Cabe dizer que “O Advento afasta o pessimismo, ao proporcionar um clima de alegre expectativa. Faz renascer a força da esperança, que renova o entusiasmo de nossas comunidades. O advento torna-se, assim, um tempo forte da Igreja, missionária e peregrina que suplica ao Senhor por sua manifestação definitiva, para todos os povos da terra” (Roteiros Homiléticos).
“O Natal, como celebração litúrgica, reforça em nós a alegria de pertença à Família de Deus. Jesus, humano – tão próximo e divino – é acolhido com festa. É recebido com alegria, como Cristo e Senhor” (Roteiros Homiléticos). O Papa Bento VXI, falando aos presbíteros diz que “No mistério da encarnação do Verbo, ou seja, no fato de que Deus se fez homem como nós, encontram-se quer o conteúdo quer o método do anúncio cristão. Aqui a missão dispõe do seu verdadeiro centro propulsor: precisamente em Jesus Cristo. A centralidade de Cristo traz consigo a justa valorização do sacerdócio ministerial, sem o qual não haveria a Eucaristia, nem muito menos a missão e a própria Igreja” (Bento XVI).
“Na Epifania, celebramos a manifestação de Jesus Cristo, Filho de Deus, ‘luz para iluminar todos os povos no caminho da salvação’”. É a universalidade da salvação. Mostra-nos que para Deus não existe acepção de pessoas. Todos são destinatários da Boa Nova do Reino.
Como os pastores na noite do Natal, ou como os magos na festa da Epifania, acolhemos a boa notícia da parte de Deus e nos tornamos anunciadores da mesma. Cabe aos presbíteros uma participação muito especial nesta missão.
Como escreve Dom Cláudio Hummes, na Carta aos Presbíteros por ocasião da festividade de São João Maria Vianney: “... nós, pastores, nos tempos de hoje, somos chamados com urgência à missão, seja ad gentes, seja nas regiões dos países cristãos, onde tantos batizados afastaram-se da participação em nossas comunidades, ou, até mesmo, perderam a fé... Não lançaremos a semente da Palavra de Deus apenas da janela de nossa casa paroquial, mas sairemos ao campo aberto da nossa sociedade, a começar pelos pobres, para chegar também a todas as camadas e instituições sociais. Iremos visitar as famílias, todas as pessoas, principalmente os batizados que se afastaram”.
Se o padre não consegue fazer tudo sozinho, também não pode se omitir e não ser o grande animador da participação dos leigos, pois o anúncio do Evangelho da salvação trazido por Jesus Cristo não pode parar. Nessa perspectiva, o projeto missionário diocesano requer de nós, presbíteros, um empenho especial. A participação, o envolvimento dos leigos como a natureza do projeto requer, vai ser possível com a participação, com o envolvimento, com o entusiasmo dos padres.
Pe. João Alberto Bagolin
joao.bagolin@hotmail.com