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Cruz Alta

 

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" Da Vossa glória estão cheios o céu e a terra".

(Sl 148)


Padres pedófilos e a pedofilia: Ponderações

Em vários lugares do mundo, e também no Brasil, têm surgido escândalos provocados por padres pedófilos. Sobretudo na Europa, a imprensa e certos progressistas procuram associar estes tristes e inaceitáveis casos ao celibato. Nunca deveríamos assustar-nos com o pecado, mas olhar para o remédio, que é Cristo, e dele nos apegar.

É verdade que há sacerdotes pedófilos na Igreja Católica. É triste e vergonhoso, mas é verdade. Eles não estão nela porque a Igreja os promove e os acolhe. Há sacerdotes pedófilos como há pastores pedófilos, juizes, médicos, psicólogos e jornalistas pedófilos..
Nem mais nem menos! Aliás, a grande maioria dos abusos de menores acontecem no recinto do próprio lar. Quando era ainda padre, acompanhei muitos desses dramas dolorosos e de difícil solução. Porque aparecem muito mais os casos dos padres pedófilos? Por vários motivos: Eis alguns: 1) É muito mais difícil um sacerdote se esconder. 2) Os casos com padres são mais divulgados pelo potencial do escândalo e de atrair a atenção. 3) Há o contato de muitos padres com jovens coroinhas e jovens educandos nas escolas católicas. 4) Em alguns paises há uma indústria mafiosa para arrancar dinheiro da Igreja com casos de pedofilia verdadeiros ou forjados.

Associar pedofilia ao celibato é pura má-fé! Uma é totalmente independente da outra. Um pedófilo pode mascarar-se por baixo do ministério sacerdotal como pode abrigar-se num casamento. O celibato é um dom de Deus para a Igreja, e que fique bem claro: não há nenhuma perspectiva do Papa e do episcopado de suspender a disciplina atual, que exige o celibato dos sacerdotes! A crise é de fé, não do celibato!

É preciso deixar claro o seguinte: o atual processo de secularização, de banaliza-ção do sagrado, da redução do sacerdócio a uma profissão, e do padre a um fazedor de pastoral, esquecendo a essência – o ser mais profundo do sacramento do sacerdócio – ser consagrado inteiramente “às coisas de Deus”..., tudo isso leva ao relaxamento e ao enfraquecimento da vida moral de tantos padres....

Nunca esqueçamos: somos pecadores! O padre, como qualquer outro ser humano, é membro de uma humanidade ferida, com falhas, com más tendências, com fraquezas. Os padres são assim, os casados são assim, a humanidade toda é assim. Todos somos feridos pelo pecado original. O pecado é uma realidade concreta, próxima e presente na nossa existência. Nunca nos deveríamos assustar com o pecado, mas olhar para o remédio que é Cristo, e dele nos aproximar! O padre, o cristão: somos todos vulneráveis ao pecado, mas ainda assim pessoas a caminho do seguimento de Cristo.

O problema é que, com a secularização e o relativismo atuais, tudo parece permitido, tudo é resolvido psicologicamente. Parece-me que o problema é precisamente a secularização, a mundanização, a perda da consciência dos sinais de uma clara identidade do sacerdote como “homem de Deus”. Há um descuido no cultivo de uma piedade profunda, madura e integrada, de um zelo pastoral verdadeiro, de uma simplicidade de vida, sem ostentações ou luxos e sem excessivas preocupações materiais.

Vivemos num mundo complexo, paganizado, em crise de valores. Os jovens seminaristas não vêm do céu, mas do mundo. É fácil tirar o jovem do “mundo”, mas tirar o “mundo” do jovem é difícil. Um rapaz que não consiga ser casto no celibato não pode, de modo algum, ser padre! Um rapaz, com tendências pedófilas, tem que ser afastado imediatamente. Quanto à tão propalada condescendência da Igreja com padres pedófilos no passado, é bom ter presente, que não se tinha nem de longe uma idéia da extensão e da gravidade da situação dessas pessoas pedófilas.

O Direito Canônico alerta, que ninguém pode ser condenado sem uma acusação formal, sem antes ser advertido, sem o direito de defender-se. Não é de justiça e é contra a caridade promover pura e simplesmente uma caça às bruxas. – Mas é também um pecado de grave omissão por parte a autoridade eclesiástica, ao fechar simplesmente os olhos para os escândalos e delitos de certos sacerdotes.

A infidelidade de alguns não pode manchar a fidelidade heróica e silenciosa  de muitos e tantos sacerdotes, que dão um esplêndido testemunho de amor a Cristo e aos irmãos. A grande maioria de nossos padres vive com alegria e amor a Cristo o seu celibato, e é digna de todo o nosso respeito e confiança. A imprensa, em geral, é anticristã e sensacionalista, preocupada não com a verdade, mas com o exagero e mesmo o escândalo, para aumentar a venda de jornais e revistas. Nos momentos de glória e beleza da vida eclesial fica fácil de declarar-nos católicos. Quando a Igreja é apedrejada, quando prevalece o escândalo da cruz, ai sim é hora de ser fiel.

Dom Frederico