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Alguns dias atrás, próximo ao Seminário, instalou-se um circo. Um circo daqueles da nossa infância, com palhaços, acrobatas, mágicos e o terrível globo da morte.
O circo foi inventado pelos Romanos para distrair o povo enquanto o Império oprimia os trabalhadores. A cada nova conquista, os generais entravam em procissão na Grande Roma mostrando ao povo os escravos e tesouros saqueados de Países distantes. Nessas ocasiões havia farta distribuição de comida e espetáculos no Coliseu – o Circo Romano. Havia gladiadores e artistas que logo se tornavam mitos entre o povo. Pão e circo saciavam o povo de comida e de fantasia.
O circo foi bem aceito porque o povo era alimentado com algo indispensável: o mito, o sonho e a fantasia, que ajuda a viver, apesar de tudo. Mito não é uma mentira, é uma verdade contada em linguagem simbólica. O mito alimenta a fantasia e também a esperança.
O Rei Davi representava a unidade do povo como o mito da realeza, os anseios de unidade, comunhão, paz e esperança do povo, o que depois foi transferida para o Messias. A esperança no Messias estava presente com o povo quando este se encontrava no cativeiro, em momentos de angústia e de dor.
O pão e o circo representam duas dimensões essenciais do ser humano: nossa fome de comida e sede de beleza, de arte, de felicidade, de sentido.
Não nos alimentamos apenas de pão, mas de promessas, de sonhos, de esperança. Quem se torna incapaz de sonhar, perde a vontade de viver. Nós precisamos ir além do comer, beber, vestir, morar. Nós precisamos nos perguntar pelo sentido de nossa existência a cada momento de nossas vidas, para não cairmos simplesmente no cotidiano massacrante e despersonalizado.
Se tivermos somente o pão, nossa vida perde o sentido, o gosto. Se não tivermos pão, é ilusão e fuga da realidade querer viver de sonhos e fantasias.
Neste mês onde comemoramos o dia do trabalhador, não podemos esquecer que a vida não se resume unicamente em lutar pela sobrevivência. A vida é contemplação, é convivência, é valorizar os momentos que passamos com quem amamos, na certeza que Deus nos conduz.
Eliseu Lucas Alves de Oliveira e João André Kummer
Seminaristas de Teologia da Faculdade Palotina em Santa Maria, RS
Kummer07@hotmail.com