Projetos Diocesanos

Coordenação Diocesana das Missões Populares Diocesanas

Pe. João Alberto Bagolin – Pároco de Ajuricaba
Pe. Marcos Rogério Denardi – Coordenador Diocesano de Pastoral
Fone: (55) 3322 6920 r: 207 E-mail: marode@redemeta.com.br
Pe. Gelson Paulo Bays – Pároco de Panambi
Darcisio Schneider – Ibirubá - Fone: (54) 3324 2069
Ana Marafon – Santa Barbara do Sul
Fone: (55) 3372 1219 - E-mail: anamariamarafon@yahoo.com.br
Missões Populares Diocesana
Idéia motivadora – lema
Na força do Espírito Santo revitalizar as comunidades.
Frase para a cruz
“Sejam minhas testemunhas” (At 1,8)
Objetivo geral
À luz do Espírito Santo,
realizar um grande mutirão
evangelizador
para revitalizar as comunidades.
Metas e seus objetivos
1. Organização de missionários visitadores permanentes em todas as comunidades.
Objetivo: Ser presença em todas as famílias cristãs católicas, levando a Boa Nova, com atenção especial aos afastados.
2. Revitalização e organização dos grupos de famílias;
Objetivo: Proporcionar que as famílias e pessoas alimentem a sua fé e vivam a experiência da partilha e da solidariedade através dos grupos de famílias.
3. Reavivamento das comunidades eclesiais, com suas pastorais, movimentos e serviços.
Objetivo: Promover uma profunda renovação das comunidades, para que passem de uma pastoral de conservação para uma vivência mais intensa da fé e sejam impregnadas do espírito missionário.
Um Projeto para 2008 – Por quê?
O ano de 2007 foi de muita expectativa e alento para nós cristãos católicos. Foi o ano dos grandes eventos: a Conferência de Aparecida e o Fórum da Igreja Católica no RS. Ambos exigem da nossa parte uma recepção criativa, que traduza para a nossa realidade o que lá foi refletido e proposto. Antes de termos as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora, que vão ser elaboradas na próxima Assembléia dos Bispos do Brasil em abril de 2008, nos lançamos num grande Mutirão em toda a Diocese, impulsionados por Aparecida e pelo Fórum. O que vamos fazer não é algo isolado, somente para preencher o tempo. É sim o “ponta-pé” inicial de uma nova etapa na vida e missão da nossa diocese.
Inspirados por Aparecida - Em Aparecida merecem destaque, em termos de projeção da missão, dois aspectos: o primeiro acentua que “A Igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstâncias latino-americanas e mundiais (...) Trata-se de confirmar, de renovar e revitalizar a novidade do Evangelho, arraigada em nossa história, a partir de um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, que desperte discípulos e missionários. Isso não depende tanto de grandes programas e estruturas, mas de homens e mulheres novos que encarnem essa tradição e novidade, como discípulos de Jesus Cristo e missionários de seu Reino, protagonistas de uma vida nova para uma América Latina que deseja reconhecer-se com a luz e a força do Espírito Santo” (DA 11).
Por outro lado diz que “O projeto pastoral da Diocese, caminho da pastoral orgânica, deve ser resposta consciente e eficaz para atender às exigências do mundo de hoje com ‘indicações programáticas concretas, objetivos e métodos de trabalho, formação e valorização dos agentes e a procura dos meios necessários que permitam que o anúncio de Cristo chegue às pessoas, modele as comunidades e incida profundamente na sociedade e na cultura mediante o testemunho dos valores evangélicos’. Esse projeto diocesano exige o acompanhamento constante do bispo, dos sacerdotes e dos agentes pastorais...” (DA 371).
Há um ponto de partida para a missão: o encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo. Porém isto, por si só não basta. Para que a missão seja eficaz é necessária uma boa organização, planejamento, acompanhamento. Em nosso projeto devem se entrelaçar esses dois aspectos.
Provocados pelo Fórum - O Fórum da Igreja Católica no RS que nos convida a olhar para frente, a encarar com firmeza a missão, afirmando que “a Igreja no RS entra em nova fase metodológica, no contexto da Conferência de Aparecida. Assume o compromisso solidário e inadiável com os excluídos e de denúncia das situações de violência que ameaçam a vida. Abre sempre mais o diálogo com a sociedade e acolhe os seus anseios. Prioriza a formação qualificada do povo e de seus agentes de pastoral. Reavalia sua presença nas pequenas e grandes cidades buscando na Palavra de Deus a inspiração para uma conversão permanente” (Carta do Fórum).
À luz do Espírito Santo
O Espírito Santo é a força que garante a continuidade da missão de Jesus Cristo na história. Jesus, no discurso de despedida, fala do Espírito Santo, o Consolador, o Paráclito que será enviado pelo Pai. É ele que vai ensinar todas as coisas e vai recordar tudo o que Jesus disse (Jo 14,26). Nas últimas recomendações antes da ascensão Jesus diz: “Descerá sobre vocês o Espírito Santo e dará a vocês a força para serem minhas testemunhas... até os confins do mundo” (At 1,8). No Pentecostes cumpre-se a promessa. O Espírito vem como ventania e como fogo. As duas imagens expressam dinamismo, força que tudo move, que tudo renova, transforma.
Nossa Diocese é dedicada ao Espírito Santo. Mais do que ninguém devemos nos sentir por ele impulsionados a viver e a realizar a missão que Jesus nos confia. Sentimos a necessidade de realizar uma ação forte que concretize o que já a tempo vem sendo dito, planejado, mas nem sempre executado. Portanto, queremos deixar que venha sobre nós o sopro do Espírito, o vento forte de um novo Pentecostes a nos desinstalar para que o Evangelho seja conhecido e vivido por todos.
Realizar um grande mutirão evangelizador
O Documento de Aparecida aponta para a co-responsabilidade de todos na tarefa da evangelização. Afirmam os Bispos: “Todos os membros da comunidade paroquial são responsáveis pela evangelização dos homens e mulheres em cada ambiente. O Espírito Santo, que atua em Jesus Cristo, é também enviado a todos enquanto membros da comunidade, porque sua ação não se limita ao âmbito individual. A tarefa missionária se abre às comunidades, assim como ocorreu em Pentecostes (At 2,1-13)” (DA 171). “Os melhores esforços das paróquias neste início do terceiro milênio devem estar na convocação e na formação de leigos missionários. Só através da multiplicação deles poderemos chegar a responder às exigências missionárias do momento atual” (DA 174).
O nosso mutirão, para ser evangelizador, não poderá esquecer aquilo que se denominou de “exigências intrínsecas da evangelização”: o serviço, o diálogo, o anúncio e o testemunho de comunhão, embora o anúncio do Evangelho deva ter prioridade permanente, principalmente neste nosso projeto. Também está em relação à globalidade da missão expressa através do tríplice múnus: ministério da Palavra, ministério da liturgia, ministério da caridade.
Os três âmbitos da evangelização: a pessoa, a comunidade e a sociedade merecem especial consideração, pois que expressam os campos de incidência do Evangelho. Nesse sentido o mutirão evangelizador que vamos empreender deve: proporcionar o encontro das pessoas com Jesus Cristo; nos comprometer na construção da sociedade solidária; renovar ou revitalizar as comunidades. É o que aprofundamos a seguir.
Proporcionando o encontro das pessoas com Jesus Cristo: A dignidade da pessoa humana, a plenitude humana só será possível na medida em que se encontrar com Jesus Cristo, pois é nele que todos têm vida. Nele a pessoa encontra a sua plenitude, pois o divino se tornou humano para tornar o humano divino. Nesse sentido “O anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, de sua pessoa, vida, morte e ressurreição visa a possibilitar o encontro da pessoa com Cristo, ajudá-la na adesão a ele e no compromisso de segui-lo na tarefa missionária por ele confiada” (DGEA 93). “O cristão, portanto, deve dar grande valor ao encontro com as pessoas, atento a discernir os sinais do que o Espírito está pedindo dele e da pessoa que encontra. O cristão que tomou consciência de sua missão de evangelizador deverá não apenas acolher bem quem se aproxima, mas ir ao encontro dos outros e retomar a prática evangélica das visitas às casas. A ‘visitação’ tem um profundo sentido teológico: a pessoa enviada por Deus representa o próprio Deus que visita o seu povo” (DGAE 99).
O teólogo e pastoralista Agenor Brighenti aponta para um aspecto importante do encontro que é a personalização. “A ação pastoral implica ir ao outro, com base na proposta cristã. Evangelização tem muito a ver com personalização. Sem ser pessoa é impossível ser um bom cristão, pois o cristianismo nada mais é que a plenitude do humano, que transcende em Deus, plenitude da vida e em quem podemos ter ‘vida em abundância’” (Brighenti, A Pastoral dá o que pensar, Paulinas, p. 156). Chama a atenção também de que “A centralidade da pessoa no ministério de Jesus, bem como na obra da Criação, faz do ser humano o ponto de partida e de chegada da ação pastoral” ((Brighenti, A Pastoral dá o que pensar, Paulinas, p. 156).
Comprometidos na construção de uma sociedade solidária: A evangelização deve despertar para uma ação social mais consistente, que realmente interfira na vida das pessoas no sentido de melhorar a sua qualidade de vida e que interfira na sociedade, pressionando para que aconteçam as transformações necessárias. O Documento de Aparecida é enfático nesse sentido quando afirma que “...as igrejas locais têm a missão de promover renovados esforços para fortalecer uma Pastoral Social estruturada, orgânica e integral que (...) se faça presente nas novas realidades de exclusão e marginalização em que vivem os grupos mais vulneráveis, onde a vida está mais ameaçada” (DA 401). Nesta linha a diocese, já antes da Conferência de Aparecida, deu andamento ao Projeto Integrador das Pastorais Sociais que, com as Missões Populares Diocesanas não deve perder força, pelo contrário, se supõe a sua afirmação e concretização.
Esta ação social mais consistente, o fortalecimento das Pastorais Sociais, o serviço da caridade implica na reafirmação da opção preferencial pelos pobres. Por isso fazemos eco ao que afirma Aparecida: “Hoje queremos ratificar e potencializar a opção preferencial pelos pobres (...) o que implica que deva atravessar todas as nossas estruturas e prioridades pastorais (...). A Igreja latino-americana é chamada a ser sacramento de amor, solidariedade e justiça entre os povos” (DA 396).
Porém essa opção pelos pobres tem implicações na metodologia, no jeito de agir e de estar com eles. “Solicita-se dedicarmos tempo aos pobres, prestar a eles amável atenção, escutá-los com interesse, acompanhá-los nos momentos difíceis, escolhê-los para compartilhar horas, semanas ou anos de nossa vida, e procurando, a partir deles, a transformação de sua situação” (DA 397). “Só a proximidade que nos faz amigos nos permite apreciar profundamente os valores dos pobres hoje, seus legítimos desejos e seu modo próprio de viver a fé. A opção pelos pobres deve conduzir-nos à amizade com os pobres (...). À luz do Evangelho reconhecemos sua imensa dignidade e seu valor sagrado aos olhos de Cristo, pobre como eles e excluído como eles. A partir dessa experiência cristã, compartilharemos com eles a defesa de seus direitos” (DA 398).
Quem são esses pobres? Os Bispos, em Aparecida, chamam a atenção para as muitas pessoas e famílias que vivem na miséria e inclusive passam fome; muitos pobres, desempregados, migrantes, deslocados, agricultores sem terra, muitos que procuram sobreviver da economia informal; meninos e meninas submetidos à prostituição infantil; crianças vítimas do aborto; os jovens sem acesso a uma educação de qualidade; dependentes das drogas; as vítimas da violência nas cidades; portadores e vítimas de enfermidades graves, dentre ela o HIV-AIDS; os anciãos, que além de serem excluídos pelo sistema produtivo, muitas vezes são recusados por sua família como pessoas incômodas e inúteis; muitas mulheres que sofrem violência de toda ordem; também preocupa a situação desumana em que vive a grande maioria dos presos.E, não em último lugar, as comunidades indígenas e afro-americanas muitas vezes desrespeitadas (DA 65).
Há, por trás dessas situações, um mecanismo que as geram. O jeito de organizar a sociedade, denominada globalização neoliberal, se manifesta, sobretudo na sua dimensão econômica que privilegia o lucro e estimula a concorrência, seguindo uma dinâmica de concentração de poder e riqueza em mãos de poucos (DA 62). “Uma globalização sem solidariedade afeta negativamente os setores mais pobres. Já não se trata simplesmente do fenômeno da exploração e opressão, mas algo novo: a exclusão social. Com ela a pertença à sociedade à qual se vive fica afetada na raiz, pois já não está abaixo, na periferia ou sem poder, mas está fora. Os excluídos não são somente ‘explorados’, mas ‘supérfluos’ e ‘descartáveis’” (DA 64).
Por isso, frente à globalização, “sentimos forte chamado para promover uma globalização diferente, que esteja marcada pela solidariedade, pela justiça e pelo respeito aos direitos humanos, fazendo da América Latina e do Caribe não só o Continente da esperança, mas também do amor” (DA 64).
Sobre o cuidado com o meio ambiente, aspecto que deve sempre ser levado em conta quando se fala da evangelização como transformação da sociedade, é preciso ter consciência de que “O discípulo missionário, a quem Deus confiou a criação, deve contemplá-la, cuidar dela e utilizá-la, respeitando sempre a ordem dada pelo Criador” (DA 125). “É necessário dar especial importância à mais grave destruição em curso da ecologia humana” (DA 472). É necessário “evangelizar nossos povos para que descubram o dom da criação, sabendo contemplá-la e cuidar dela como casa de todos os seres vivos e matriz da vida do planeta (...) educando para um estilo de vida de sobriedade e austeridade solidárias” (DA 474a). Também é necessário “procurar um modelo de desenvolvimento alternativo, integral e solidário (...) que se fundamenta no evangelho da justiça, da solidariedade e do destino universal dos bens” (DA 474c).
O Fórum da Igreja Católica no RS aponta para algumas atitudes e compromissos que todos devemos ter em relação ao meio ambiente. Eis o que afirma a Carta do Fórum: “A riqueza da biodiversidade é um apelo à partilha e ao reconhecimento do(a) outro(a) como legítimo(a) próximo(a), conforme inspiram as Sagradas Escrituras, despertando uma espiritualidade ecológica. Assim, importa inserir a temática da ecologia na agenda permanente da formação dos agentes de pastoral da Igreja Católica, desde a Catequese, formando uma cultura de respeito e compromisso com o planeta, dom de Deus, nossa casa comum”.
Revitalizar as comunidades
Quando trata da comunidade a Conferência de Aparecida diz: “A vocação do discípulo missionário é convocação à comunhão em sua Igreja. Não há discipulado sem comunhão. Diante da tentação, muito presente na cultura atual, de ser cristão sem Igreja e das novas buscas espirituais individualistas, afirmamos que a fé em Jesus Cristo nos chegou através da comunidade eclesial e ela ‘nos dá uma família, a família universal de Deus na Igreja Católica. A fé nos liberta do isolamento do eu, porque nos conduz à comunhão’. Isso significa que uma dimensão constitutiva do acontecimento cristão é o fato de pertencer a uma comunidade concreta na qual podemos viver uma experiência permanente de discipulado e de comunhão com os sucessores dos Apóstolos e com o Papa” (DA 156).
Já o Papa Paulo VI nos advertia na “Evangeli Nuntiandi”. “Convém recordar aqui, de passagem, momentos em que acontece nós ouvirmos, não sem mágoa, algumas pessoas – acreditamos que bem intencionada, mas com certeza desorientadas no seu espírito – a repetir que pretendem amar a Cristo mas sem a Igreja, ouvir a Cristo mas não à Igreja, ser de Cristo mas fora da Igreja. O absurdo de uma semelhante dicotomia aparece com nitidez nesta palavra do Evangelho: ‘Quem vos rejeita é a mim que rejeita’ (Lc 10,16). E como se poderia querer amar Cristo sem amar a Igreja, uma vez que o mais belo testemunho dado de Cristo é o que São Paulo exarou nestes termos: ‘Ele amou a Igreja e entregou-se a si mesmo por ela’ (Ef 5,25)”? (EN 16).
Não podemos esquecer de que “Somente apoiadas em pessoas maduras é que poderão surgir verdadeiras comunidades, enquanto espaço de convergência de pessoas que (...) se fazem dom e possibilitam a experiência da fraternidade. Sem essa experiência humana e divina não há comunidade eclesial” (Brighenti, A Pastoral dá o que pensar, Paulinas, p. 156). Portanto, o processo de humanização é imprescindível na revitalização ou reavivamento das nossas comunidades.
Igual as primeiras comunidades de cristãos, hoje nos reunimos assiduamente para ‘escutar o ensinamento dos apóstolos, viver unidos e tomar parte no partir o pão e nas orações’ (At 2,42). A comunhão da Igreja se nutre com o Pão da Palavra de Deus e com o Pão do Corpo de Cristo. A Eucaristia, participação de todos no mesmo Pão da Vida e no mesmo Cálice de Salvação, nos faz membros do mesmo Corpo (cf. 1Cor 10,17)” (DA 158).
Porém, nota-se um certo marasmo, um certo cansaço das lideranças e das comunidades, uma acomodação ao ambiente, que, junto ao pluralismo de ‘solicitações’ faz com que se deixe de lado a comunidade e a celebração. Não se prioriza a comunidade. Isso faz com que não haja criatividade, dinamismo. Continuam sempre as mesmas coisas, os mesmos vícios. Por isso “Necessitamos que cada comunidade cristã se transforme num poderoso centro de irradiação da vida de Cristo. Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do cansaço, da acomodação ao ambiente; esperamos uma nova vinda do Espírito que renove nossa alegria e nossa esperança” (DA 362).
Está aí o grande desafio que nos aponta para a necessidade de uma ação mais incisiva no sentido de fazer os cristãos católicos despertarem para uma vivência mais alegre e coerente do Evangelho, saindo do isolamento, do individualismo, para uma vivência comunitária mais intensa. Por isso, os que já vivem em comunidade fazem com que ela saia ao “encontro dos afastados, interessa-se por sua situação, a fim de reencantá-los com a Igreja e convidá-los a retornarem para ela” (DA 225d).
Não só as grandes comunidades são importantes. Pelo contrário, elas não favorecem a personalização, as relações interpessoais. Por isso “É recomendável que os agentes missionários promovam a criação de comunidades de famílias que fomentem a colocação em comum de sua fé cristã e das respostas aos problemas” (DA 372). Tradicionalmente chamamos a isso de grupos de famílias, que é uma das metas do Projeto das Missões Populares Diocesanas.
A questão da comunidade e grupos de famílias foi trabalhado em 2006 quando foi dito no subsídio daquele ano, Vocação Humana – Viver em Comunidade: “As comunidades ganham vida e se revitalizam quando organizadas em grupos de famílias e ou grupos de reflexão que, em momentos especiais ou de maneira permanente se encontram para refletir, rezar e conviver (...) Não há outra forma de fazer catequese com adultos e de vivenciar a fé do que através de grupos. Nestes espaços será possível vivenciar a comunhão como as primeiras comunidades, conforme nos mostram os Atos dos Apóstolos”.
Comunidade revitalizada é comunidade missionária. Por isso “Nenhuma comunidade deve isentar-se de entrar decididamente, com todas as forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favorecem a transmissão da fé” (DA 365). É necessária uma conversão pastoral de nossas comunidades eclesiais, para que sejam comunidades de discípulos missionários ao redor de Jesus Cristo, Mestre e Pastor” (DA 368). “A conversão pastoral exige que se vá além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária” (DA 370).
Em relação aos movimentos eclesiais há um esforço na busca do diálogo e unidade em torno daquilo que é o essencial. Diálogo nem sempre fácil, mas cada vez mais necessário para haja unidade na diversidade. Falando sobre os movimentos, dentre outras coisas, Aparecida diz: “É verdade que os movimentos devem manter a sua especificidade, mas dentro de uma profunda unidade com a Igreja particular, não só de fé, mas de ação. Quanto mais se multiplicar a riqueza dos carismas, mais os bispos serão chamados a exercer o discernimento espiritual para favorecer a necessária integração dos movimentos na vida diocesana” (DA 313).
No que diz respeito à família como primeira experiência de vida comunitária, fazemos eco ao Documento de Aparecida, que proclama: “Deus ama nossas famílias, apesar de tantas feridas e divisões. A presença invocada de Cristo através da oração em família nos ajuda a superar os problemas, a curar as feridas e abre caminhos de esperança. Muitos vazios de lar podem ser atenuados através de serviços prestados pela comunidade eclesial, família de famílias” (DA 119). “Visto que a família é o valor mais querido por nossos povos, cremos que se deve assumir a preocupação por ela como um dos eixos transversais de toda ação evangelizadora da Igreja. Em toda diocese se requer uma pastoral familiar ‘intensa e vigorosa’ para proclamar o evangelho da família, promover a cultura da vida, e trabalhar para que os direitos das famílias sejam reconhecidos e respeitados” (DA 435). Por isso a necessidade de organizar a Pastoral Familiar na Diocese e paróquias, com o envolvimento dos movimentos e pastorais.
A partir da comunidade eclesial devemos estar sempre com o nosso olhar atento para as pessoas com suas necessidades, responsabilidades e potencialidades. Em primeiro lugar olhamos com carinho e amor para as crianças, “dom e sinal da presença de Deus em nosso mundo por sua capacidade de aceitar com simplicidade a mensagem evangélica. Jesus as acolheu com especial ternura (cf. Mt 19,14), e apresentou a capacidade que elas têm para acolher o Evangelho como modelos para entrar no Reino de Deus (cf. Mc 10,14; Mt 18,3)” (DA 438). Por outro lado, com tristeza vemos tantas situações de abandono, de violência e sofrimento que atingem as nossas crianças e diante das quais não podemos permanecer indiferentes (DA 439). Para nos ajudar nesse sentido, o Documento de Aparecida nos propõe importantes orientações pastorais (DA 441).
Atenção especial dedicamos aos adolescentes e jovens. “Os adolescentes não são crianças nem são jovens. Estão na idade da procura de sua própria identidade, de independência frente aos pais, de descoberta do grupo. Nessa idade, facilmente podem ser vítimas de falsos líderes constituindo grupos. É necessário estimular a pastoral dos adolescentes, com suas próprias características, que garanta sua perseverança e o crescimento na fé. O adolescente procura uma experiência de amizade com Deus” (DA 442). Os adolescentes e jovens (...) representam enorme potencial para o presente e o futuro da Igreja e de nossos povos, como discípulos e missionários do Senhor Jesus (DA 443).
Os jovens “São chamados a ser ‘sentinelas do amanhã’, comprometendo-se na renovação do mundo à luz do plano de Deus” (DA 443). Reforçamos isso com a Carta do Fórum: “A Igreja Jovem do Rio Grande do Sul retoma a opção efetiva pela juventude empobrecida em suas diversas manifestações e convida para que estejamos abertos a olhar os jovens a partir de suas realidades, livres de preconceitos, capazes de acolhê-los assim como se apresentam. Queremos ser Igreja Jovem, missionária, comprometida com a pessoas e a proposta de Jesus Cristo, que veio ao encontro e montou sua tenda também no meio da juventude. Isso tudo exige que nos coloquemos, como Igreja, a caminho num passo conjunto com o jovem, democratizando os espaços institucionais, adaptando-nos à realidade juvenil, acompanhando-os para que assumam o compromisso de serem evangelizadores de outros jovens, tendo em vista a construção da civilização do amor”.
Sobre as características dos jovens, as situações em que se encontram e linhas de ação para o trabalho com eles, encontramos no Documento de Aparecida, nos números 443 a 446, elementos que devem ser do conhecimento de todos os que se preocupam com os jovens e adolescentes.
Outro cuidado especial que devemos assumir é com “o bem-estar dos idosos” (DA 447-450). Muitos deles “gastaram a vida pelo bem de sua família e da comunidade, a partir de seu lugar e vocação. Muitos, por seu testemunho e obras, são verdadeiros discípulos missionários de Jesus. Merecem ser reconhecidos como filhos e filhas de Deus, chamados a compartilhar a plenitude do amor e a serem queridos em particular pela cruz de suas doenças, da capacidade diminuída ou da solidão” (DA 449). “A Igreja sente-se comprometida a procurar a atenção humana integral a todas as pessoas idosas, também ajudando-as a viver o seguimento de Cristo em sua atual condição, e incorporando-as o quanto possível à missão evangelizadora” (DA 450).
Há uma bela relação, em Aparecida, feita a partir da apresentação de Jesus no templo (cf. Lc 2,41-50), sobre as crianças e os anciãos: “A criança que surge para a vida, assumindo e cumprindo a Lei, e os anciãos, que festejam com a alegria do Espírito Santo. Crianças e anciãos constróem o futuro dos povos. As crianças porque levarão adiante a história, os anciãos porque transmitem a experiência e a sabedoria de suas vidas” (DA 447). Relação que está estampada também no cartaz da CF 2008.
Nessa relação comunidade e pessoas, não podemos deixar de reconhecer a presença e o papel das mulheres (DA 451-458). Elas “constituem, geralmente, a maioria de nossas comunidades. São as primeiras transmissoras da fé e colaboradoras dos pastores, os quais devem atendê-las, valorizá-las e respeitá-las” (DA 455). Isso sem esquecer a responsabilidade do homem (DA 459-463), que “a partir da sua especificidade, é chamado pelo Deus da vida a ocupar lugar original e necessário na construção da sociedade” (DA 459).
Conclusão
Concluímos dizendo que tudo isso queremos acolher e realizar acompanhados de Maria e por ela inspirados, uma vez ser ela a primeira discípula missionária e, nas palavras de Paulo VI, a Estrela da Evangelização. Ela que “Na manhã de Pentecostes, presidiu na prece ao iniciar-se da evangelização, sob a ação do Espírito Santo: que seja Ela a Estrela da evangelização, sempre renovada, que a Igreja, obediente ao mandato do Senhor, deve promover e realizar, sobretudo nestes tempos difíceis mas cheiros de esperança!” (EN 82).
Vamos expressar isso colocando nossa caminhada missionária aos pés do Monumento de Fátima, em Cruz Alta, no dia da grande Romaria, que será o ponto alto, a grande celebração diocesana das Missões Populares. E com todos os romeiros e romeiras que vêm de tantos lugares queremos cantar a alegria de sermos peregrinos na “estrada de Jesus”, com Maria, Mãe dos caminhantes, nos ensinando a caminhar.
E assim, guiados por Maria, fixamos os olhos em Jesus Cristo, a quem, na força do Espírito Santo, seguimos e temos a missão de testemunhar e anunciar. Que ele permaneça conosco nesta grande jornada, nos fortaleça na fé e nos faça sempre discípulos missionários, construtores do Reino por ele iniciado e anunciado.