Diocese
Cruz Alta

 

Agenda do Mês

Salmo do dia

" Por entre as aclamações, Deus se elevou, / o Senhor subiu ao toque da trombeta!"

(Sl 46(47))


Semana Santa: vivendo com Jesus a sua paixão, morte e ressurreição

 

A Semana Santa, para muitos católicos é simplesmente um feriadão; para o comércio oportunidade de vendas; para tantos, simplesmente uma devoção; mas há aqueles que a encaram como um momento especial de meditação, oração e renovação da fé. O cristão verdadeiramente apaixonado por Jesus Cristo não pode deixar de acompanhar ativamente a Liturgia da Semana Santa, a aceitar o convite de Jesus para “orar com ele”.
Iluminadoras são as palavras do saudoso Papa Paulo VI: “Se há uma liturgia que deveria encontrar-nos todos juntos, atentos, solícitos e unidos para uma participação plena, digna, piedosa e amorosa, esta é a liturgia da grande semana. Por um motivo claro e profundo: o Mistério Pascal, que encontra na Semana Santa a sua mais alta e comovida celebração, não é simplesmente um momento no Ano Litúrgico: ele é a fonte de todas as outras celebrações do próprio Ano Litúrgico, porque todas se referem ao mistério da nossa redenção, isto é, ao Mistério Pascal”
Somos introduzidos na Semana Santa com o Domingo de Ramos. Na liturgia deste domingo acompanhamos e celebramos a entrada de Jesus em Jerusalém e nos unimos àqueles que, com ramos nas mãos, o aclamam como Senhor e Salvador. Renovamos assim, nossa adesão a ele. É o dia em que, em todo o Brasil, se faz a Coleta da Solidariedade, gesto concreto da Campanha da Fraternidade.
Outra celebração importante é a Missa do Crisma, na Catedral, onde os padres que trabalham na diocese celebram com o Bispo e renovam as promessas sacerdotais. Nesta missa o Bispo consagra o óleo do crisma, utilizado para ungir os que recém foram batizados, os que são crismados e os que recebem o sacramento da Ordem (padres e bispos); e abençoa o óleo dos catecúmenos, para a unção pré batismal na celebração do batismo, e o óleo dos enfermos para a unção dos doentes. Essa missa é a manifestação da comunhão dos presbíteros com o seu Bispo.
Tríduo Pascal – é a celebração da paixão, morte e ressurreição de Jesus. O mesmo constitui o centro de toda vida de fé das comunidades cristãs. Nele, celebramos a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus que Cristo realizou. Quando, morreu, destruiu a nossa morte e, ressuscitando, renovou a vida. Começando com a celebração da ceia do Senhor na quinta-feira santa à noite, o Tríduo Pascal tem o seu ponto alto na solene vigília pascal. Com sua celebração durante três dias, faz-se presente e se realiza, para a vida das comunidades, o mistério da Páscoa de Cristo, isto é, de sua passagem deste mundo para a vida do Pai. O Tríduo possui sua unidade, onde cada dia celebra momento progressivo da única páscoa: a Páscoa da ceia, a Páscoa da cruz, a Páscoa da ressurreição. Deste modo pode se afirmar: a missa (ou celebração) iniciada na quinta-feira, continua na sexta-feira (celebração da cruz e paixão), no sábado a grande vigília, culminando com a festa da ressurreição. Consideremos brevemente cada passo desse caminho:
Quinta-feira santa - Páscoa da Ceia: Neste dia recordamos a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio e dia em que Cristo nos dá o mandamento do amor. Jesus celebra, antecipadamente, em forma de ceia pascal, o que iria acontecer no calvário no dia seguinte. Assim, a Eucaristia é o sacramento da entrega de Jesus na cruz. Uma entrega que se traduz em serviço humilde e despojado, simbolizado no gesto do lava-pés. Assim, os três elementos se orientam mutuamente: o sacrifício na crua, o serviço e a humildade do lavar os pés, e do pão partido. A memória da Ceia nos introduz no mistério da cruz, por isso a celebração festiva da Ceia do Senhor termina com total despojamento.
Sexta feira Santa: Páscoa da Cruz. Dia de jejum e abstinência. Dia de silêncio e interiorização. Recordamos todo o processo que levou Jesus à morte e sua entrega livre: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Por sua morte ele deu-nos a vida. Do seu lado transpassado jorra abundante a graça da Deus simbolizada no sangue e na água. Como não vivenciar este mistério nas celebrações deste dia? A celebração da Paixão do Senhor acontece às três horas da tarde, hora em que Jesus morreu e em que se imolavam os cordeiros para o banquete da Páscoa. Ele é o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.
Sábado Santo – dia do grande silêncio que lembra Jesus sepultado, que desceu à “mansão dos mortos”. É a solidariedade de Jesus na morte, ele que “viveu em tudo a condição humana, menos o pecado”. Ao anoitecer nos reunimos para a grande vigília, a Vigília Pascal, a principal celebração do ano para o cristão, com a qual concluímos o Tríduo Pascal. Vigília significa esperar com expectativa, escutando a Palavra de Deus. É a Páscoa da Ressurreição, que se completa com o Domingo, dia da Ressurreição e dia do Senhor.

Pe. João Alberto Bagolin - Pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo - Ajuricaba